"Destino não é uma questão de sorte, mas uma questão de escolha; não é uma coisa que se espera, mas que se busca." (William Jennings Bryan)
Destino
Na verdade o que seria viver? Ainda estou a descobrir e confesso que não está sendo muito fácil. Liguei o som no máximo e comecei a dançar na frente do imenso espelho que possuo em meu quarto. De repente
uma ligação:
-Sarah! É a Di, tudo bem?
-Oi Di! – Respondi mal-humorada.
-Que voz é essa? – Perguntou-me ela.
-Só estou um pouco pra baixo... –
Jamais contaria meus problemas para a Di, além de não sermos muito amigas, ela é a garota mais
fofoqueira que um dia já conheci.
-Hum... Então vamos nos animar! Estou a fim de ir a uma taróloga.
-Taróloga? – Respondi espantada.
-Sim, essas mulheres que vêem o futuro nas cartas.
-Eu sei o que é uma taróloga Di!
-Argh, tanto faz... Vamos?
Fiquei pensando alguns instantes... Que mal teria em saber um pouco sobre meu futuro?
-Claro Di! Vamos!
- Então, passo para te pegar às cinco da tarde.
-Ok. Kisses!
-Kisses girl!
Coloquei um jeans, uma camiseta, meus all stars, peguei uma bolsa e fui com a Di.
Fiquei morrendo de medo quando subi no carro, ela definitivamente comprou a carteira de motorista. Essa menina não sabe dirigir! Estou correndo perigo!
Coloquei o cinto de segurança rapidamente, ela estava de óculos e bebendo uma
lata de cerveja... Imagina só... Uma adolescente de 18 anos, completamente
irresponsável, que
não sabe dirigir,
sem cinto de segurança, com outra adolescente de carona indo para um lugar que nunca ouviram falar, para simplesmente saber um pouco mais do futuro?
Na verdade eu sou mais maluca ainda por ter aceitado esse convite.
-Você está tão séria Sarah! – Disse-me ela tomando um gole de cerveja.
-Eu não acredito que você está bebendo enquanto dirige... Por um acaso você já ouviu falar em
“Lei seca”?
-Sim, e você esqueceu que eu tenho dinheiro e
posso pagar por tudo? Você anda em que mundo Sarah?
Fiquei quieta. Incrível... Em pensar que também ajo desse modo certas vezes... Isso me deixa nauseada.
-Chegamos! Disse ela pegando
um cigarro.
-O quê? Agora você também fuma? – Perguntei espantada.
-Você não sabia? O Augusto terminou comigo. – Disse isso, abraçou-me e começou a chorar.
-Sinto muito, mas você não precisa fumar beber e nem ir a uma taróloga... Essas coisas acontecem...
-Você diz isso porque
você é perfeita Sarah! Todos os meninos babam por você... O que não acontece comigo.
-Ai Di! Vamos! – Disse logo para não perder as estribeiras.
Chegamos a uma casinha pequena, era sem reboco, feia, estranha, dava arrepios.
O chão era de cimento puro. Sentamos em umas poltronas. Eram de um vermelho escuro, puxadas a vinho; aveludadas, antigas. O cheiro de incenso estava deixando-me enjoada e comecei a espirrar.
O teto da casa era de madeira, as cortinas que envolviam as janelas escuras, tristes e sujas eram de um azul escuro.
De repente uma mocinha chamou-nos.
-Podem entrar. – Disse a tal. Ela tinha olhos tão tristes... Era magra, baixa, e não tinha modos femininos. Seus trajes eram estranhos, deixava-a tão apagada.
Fomos para uma salinha escura, poltronas também aveludadas, mas dessa vez, eram marinho.
Uma mulher nos aguardava. Era uma senhora estranha, tinha olhos claros, usava uma espécie de lenço na cabeça que era envolvida por cabelos grisalhos. Ela tinha uma cicatriz na boca, que me deixava instigada. Usava uma roupa branca. E olhou-me diretamente nos olhos.
-Sentem-se. – Disse ela.
Minha amiga foi a primeira, ela tirou as cartas e ali estava... Seu futuro! Disse madame Samovar que a Di só iria ficar com do Augusto quando ela fizesse
um chá de cuecas.
Nossa... Essa mulher não sabe nada, pensei. Mas surpreendentemente, ela olhou-me de uma forma diferente. Pegou minhas mãos, apertou-as e começou a falar algumas coisas estranhas... Eu fiquei com medo e tentei fugir, mas não consegui.
-Sua vida vai mudar Sarah,
você terá surpresas. – Disse ela em uma voz estranha. – Seus pais
não ficarão juntos e você vai encontrar uma
menina clara que vai te auxiliar e muito. Uma
viagem está prestes a acontecer.
Desprendi-me dela e saí correndo. Do que ela estava falando? Viagem? Não tenho nenhuma planejada agora. Meus pais não ficarão mais juntos? Já podia imaginar... Resolvi pegar um táxi.
Cheguei em casa, tomei um banho bem demorado, coloquei as roupas na lavanderia e deitei para ler um pouco.
-Sarah! – Gritou minha mãe.
-Entre! – Respondi.
-Ela entrou, seu rosto revelava alegria. O que poderia ser?
-Tenho
uma surpresa para você! – Disse ela empolgada.
-Mais surpresas para hoje? – Perguntei meio pensativa.
-Você teve surpresas hoje Sarah? Quais?
-Nada não mãe! Esquece... E então qual é a tão esperada surpresa?
-Isso! – Mostrou-me ela uma passagem para uma viagem.
-
Uma Viagem? – Perguntei surpresa.
-Sim, esse é o seu presente de aniversário!
-Obrigada mãe!
Na mesma hora lembrei da madame Samovar, será que minha vida mudaria tanto?
Ou tudo não passou de um pesadelo maluco e daqui a pouco irei acordar? Dúvidas... De tanto pensar nelas, caí na cama e dormi feito pedra.
Continua...